Tuesday, 15 May 2007

Gorgetas

Não é mesmo do meu estilo meter conversa com estranhos. Assim me foi ensinado e sempre cumpri à regra. Por isso estranhei quando a minha professora de investigação, orgulhosa de si mesmo, explicava que sempre que pode fala com pessoas a rua, nas lojas e sobretudo com taxistas, pois todos eles têm histórias e experiências de vida para contar.
Por mais lamechas que isto possa soar, para mim não é mais do que uma técnica para extorquir dinheiro em gorgetas. E aprendem isso tudo na escola de taxistas, estilo dois dias de "Gorgetas: os segredos do seu sucesso".

Mas vale a pena dar o braço a torcer, e ser a cobaia desse tipo de experiências. Assim que entrei no taxi ontem à noite, por entre assobios, o taxista perguntou se me tinha divertido, se tinha tido uma boa noite. Eu respondi afirmatvamente e percebi que ali estava um especime que sabia utilizar as técnicas de que falo como ninguém. Depois de um silêncio, o rádio tocava "Fast car" da Tracy Chapman, e isso deve ter activado o coração do pobre taxista, obrigando-o a indagar: "Tem algum relacionamento?", Eu disse "Não!". "E é feliz?". "Sim." Não acreditou... E sua sabedoria profunda fez-se provar com o seguinte: "Eu tenho uma relação de 12 anos, e antes disso tinha uma de 20 anos. Sou muito feliz, por causa disso, e se você quiser encontrar a felicidade precisa de encontrar alguém como eu encontrei." Mas desde quando é que felicidade é medida por ausência/presença de relações? E se era tão feliz porque acabou com uma relação de 20 anos? Senhor taxista, eu não disse mais nada depois disso, mas digo agora. Os solteiros também vivem, e bem. Se o objectivo dessa lição era conseguir uma gorgeta, então espero que as 3 libras que lhe deixei o façam muito feliz. Ainda mais feliz.

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